11/03/2012
04/03/2012
27/02/2012
21/02/2012
18/02/2012
Bento Gonçalves, terra do vinho e muito mais
19/01/2012
"O Grande Projeto - novas respostas para as questões definitivas da vida" de Stephen Hawking e Leonard Mlodinow.

25/12/2011
"As Esganadas" de Jô Soares. Companhia das Letras (2011)

12/12/2011
"O Pêndulo" de Amir D. Aczel.
O livro começa com a vida de solteira e na casa da mãe do grande cientista e da sua não formação acadêmico, e, por conseguinte realmente pelos cientistas acadêmicos franceses. O trabalho de divulgador científico em um jornal da época é outro destaque dado a vida de Foucault. O autor não deixa os leitores leigos desguarnecidos ao fazer explicações simples e objetivas da física e matemática envolvidas na explicação de como o pêndulo prova que a Terra gira, por meio da explicação da Força de Coriolis.
Outro aspecto interessante, é a relação próxima entre Napoleão III e Foucault, que só trouxe tranquilidade para o cientista desenvolver seu trabalho. Se o livro de Aczel fosse um romance, Napoleão III seria o coadjuvante de tanto que é citado ao longo da obra.
Apesar de ser interessante e acessível, o livro traz algumas incorreções e imprecisões tanto de física como de história da ciência, que não podem ser ignoradas. Porém, no geral a obra é uma defesa incisiva da ciência e da defesa do cientista desenvolvê-la.
26/09/2011
"Cem anos de solidão" de Gabriel Garcia Márquez
14/08/2011
"Pilatos" de Carlos Heitor Cony. Alfaguara (2009), 224 páginas.
Se fosse possível apenas uma palavra para definir o livro de Cony eu escolheria surreal. Ao melhor estilo Kafka ele nos leva a situação, surreais, que divertem, angustiam e fazem refletir. O personagem principal e narrador, que tem seu revelado apenas uma vez e quase no fim do livro, é um revisor de um órgão de impressa a beira da falência que mora em um quarto de pensão em estado de quase miséria. As coisas pioram para ele quando ele sofre um grave acidente ao ser atropelado.
No hospital ele descobre que no acidente ele teve seu pênis decepado, e terá que se contentar com um tubo plástico no lugar apenas para urinar. Com uma solidariedade mórbida, as freiras do hospital guardam o pênis em uma recipiente, que vira um talismã para o personagem principal que o carregará durante quase toda a narrativa. Após escapar de uma tentativa de homicídio no hospital, ele é liberado e descobre que está na mais profunda miséria e terá que dormir na rua. Lá ele encontra o outro protagonista do livro, Dos Passos.
Juntos, o narrador e Dos Passos passam para situações mais absurdas possíveis. Entre elas, cedem o pênis do narrador para ser filmado como ator principal em um filme, são presos e torturados, participam de casos de sodomia entre muitas outras. As torturas são uma denúncia sutil de Cony ao momento político em que se passava na década de 1970, com a ditadura militar.
Outro destaque do livro são as histórias escritas por Dos Passos, que Cony reproduzir integralmente em seu texto. Estas metanarrativas são mais absurdas e surreais que a própria narrativa.
Porém o grande destaque para mim foi o fim do pênis do narrador e sua ligação com a demissão dele do seu emprego em um botequim de um português. Ambos as situações, que estão ligados, beiram o mais absurdo dos absurdos e por isto mesmo desconfiam que possam até ser reais.
A morte de Do Passos é mais tradicional, assassinado por engano. O livro começa e termina com este episódio e com a incerteza quanto a vida e sobrevivência do narrador, que pode estar muito bem em cada de nossas esquinas.
18/06/2011
São Carlos, SP: Museu da TAM
O pátio de entrada já dá uma amostra do que vem pela frente, com um avião antigo e uma visão dos aviões da TAM em manutenção. O hall já é de tirar o fôlego com aviões da II Guerra Mundial pendurado no teto.
No corredor de entrada é um passeio histórico da aviação. Começa pelas maquetes de Leonardo da Vinci, passando pelos dirigíveis de hidrogênio, pelos heróis brasileiros que lutaram na II Guerra Mundial e outros aviões históricos, como que primeiro rompeu a barreira do som, o Enola Gay que levou a bomba de Hiroshima.
Antes de entrar na exposição de aviões, é exibido um vídeo com a história do museu e da TAM. E quando se abre a porta é de prender a respiração com o que se vê. A exposição é organizada em ordem cronológica, então começa com réplicas do 14-Bis e o São Paulo (primeiro avião construído no Brasil). A seguir hidroaviões e uma série de outras aeronaves em perfeito estado e parecendo novas.
O destaque mesmo fica para os aviões da II Guerra Mundial, exemplares nazistas e aliados estão presente. Mas o grande destaque é um original Republic P47D Thunderbolt que foi utilizado por brasileiros na II Guerra Mundial com o famoso logotipo “Senta a púa” na fuselagem.
Outros destaques são o avião da FAB pilotado por Ayrton Senna, aviões militares mais recente, helicóptero de resgate, um enorme PANAIR, um MK 600, além de um Fokker 100 do mesmo modelo que caiu em Congonhas na década de 1990.
Existem ainda miniaturas, uma exposição de uniformes de bordo de todo mundo, uma loja e lanchonete. A visita ao museu é imperdível, apesar de ser de difícil acesso.
Classificação pessoal e arbitrária: cinco estrelas
17/06/2011
"Farda, fardão, camisola de dormir" de Jorge Amado. Companhia das Letras (2009), 272 páginas
Jorge Amado é um mestre, sem dúvida um dos maiores escritores brasileiros e ninguém poderia se surpreender se alguém o colocasse com o maior de todos. Autor de clássicos como “Capitães de Areia” e “Gabriela, cravo e canela”, tem uma vasta biografia, toda em alto nível. Grande parte de seus clássicos se passam em seu estado natal, a Bahia, e são carregados de sensualidade e de tradições baianas oriundas da África. Este não é o caso de “Farda, fardão, camisola de dormir” que se passa no Rio e quase não sensualidade e referências as tradições africanas, e mesmo assim Jorge Amado consegue escrever um romance espetacular!Como todas as histórias de Jorge, esta também gira em torno de algo inusitado. Um imortal da Academia Brasileira de Letras morre e a trama gira em torno da eleição para sua substituição. Logo no início o leitor é apresentado ao primeiro candidato, tido como favorito, um coronel do exército dito como torturado na ditadura do Estado-Novo, período no qual o livro se passa. Tal indicação não agrada os acadêmicos mais liberais que lançam um candidato azarão, um general do exército da reserva.Então dar-se a batalha do Petit Trianon, onde nem o leitor mais astuto é capaz de prever o final. Jorge nos envolve de tal forma que não conseguirmos nos livrar dos personagens mesmo quando não estamos lendo seu romance, além disto torna a trama tão empolgante e surpreendente que justifica a leitura com calma de cada página escrita por ele.Se não bastasse a narrativa de Jorge, e a história que ele conta em “Farda, fardão, camisola de dormir”, ele se passa em uma ditadura e denuncia as atrocidades cometidas pelo governo Vargas durante a II Guerra Mundial, a corrupção e as torturas incluídas. Isto, por si só, mostra a coragem de Jorge Amado, pois o romance foi publicado originalmente em pleno outro período ditatorial do Brasil no início dos anos 80, período em que se torturou tanto gente ou mais que na era Vargas. É genial a forma como Jorge denuncia as atrocidades de uma ditadura sem sequer fazer referência direta ao período em que o livro foi escrito e que denuncia. Coisa de mestre!05/06/2011
"Morte em Veneza" de Thomas Mann. Fronteira (2010), 115 páginas

20/05/2011
"Variedades da Experiência Científica" de Carl Sagan. Companhia das Letras (2008), 304 páginas.

19/04/2011
“Mapas do acaso – 45 variações sobre um mesmo tema” de Humberto Gessinger. Belas Letras (2011), 139 páginas.

Este é o segundo livro de Gessinger em dois anos. O primeiro já tinha me decepcionado enormemente, “Pra ser sincero”, este segundo foi ainda mais decepcionante. Aliás, não sei se livro seria a classificação mais adequada, esta obra é formada por várias espécies de crônicas desconexas, desarticulas, mal escritas e sem sentido. Se não fosse um de meus heróis o autor, eu simplesmente não teria lido até o final e nem me daria o trabalho de comentar sobre a leitura, mas como é o Gessinger...
As frases feitas, que são exageradamente usadas no primeiro livro, estão de volta. Todo capítulo (crônica?) começa com um ‘Nota mental para a próxima vida’. Não é uma autobiografia como “Pra ser sincero”, nem sei bem sobre o que é o livro. Parece mais uma conversa de bar com um amigo, ou várias. Diferente de uma conversa, o assunto é sempre sobre a mesma pessoa. Seja os fantasmas que perseguem Gessinger, o design de seus óculos, a facilidade de ter a face vermelha ou sua viagem do Engenheiros para Rússia. Cada um destes temas, e tantos outros, tem uma crônica, em capítulo separado.
Outro aspecto que não agrada no livro são os enxertos. Seja textos públicos em revistas e jornais, no fim ou meio de capítulos, que em sua maioria não contribui ou amplia o tema abordado ou mesmo as letras que estão nos encartes, parece que faltaram páginas para o livro e teve-se que se preencher de alguma forma. Mas mesmo nas letras, há algumas inéditas que valem a pena a leitura e imaginar o Humberto cantando.
Mas a leitura vale para nos deliciarmos com alguns detalhes da vida de nosso herói. Seja para saber sobre o gosto de não gostar de cinema, ou suas bandas esquisitas preferidas ou mesmo detalhes banais como o suposto talento juvenil para vôlei. Outros aspectos me soaram mais interessantes ainda, saber que como eu, ele divide a vida em ciclos de Copa do Mundo, esta parte a maioria das mulheres jamais entenderá.
Enfim, o livro não é bom, mas é o Gessinger. Quando ele lançar qualquer outra coisa, seja livro ou disco, eu serei um dos primeiros a comprar. Mesmo que ele só faça obras sem qualidade literária o resto da vida, ele ainda tem crédito com todos nós que crescemos ouvindo suas poesias em forma de música. Talvez esteja aí o X da questão, ele devia se dedicar a um livro de poesia e não prosa. Quem sabe?
Classificação pessoal e arbitrária: duas estrelas e meia.
11/04/2011
"O que Keith Richards faria em seu lugar" de Jessica Pallington West. Fontanar (2010), 264 páginas.
28/03/2011
"Feliz Ano Novo" de Rubem Fonseca. Agir (2010), 152 páginas.

10/03/2011
"Um erro emocional" de Cristovão Tezza. Record (2010), 192 páginas

26/02/2011
Torres, RS. A mais bela praia gaúcha.
Pode-se começar para mais famosa de todas as suas praias, a da Guarita; o local mais lindo da cidade. São dois paredões, duas torres que dão nome a cidade, enormes, que estão intercalados por outro conhecido como “Pedra do meio”. Existe como se caminhar nos paredões com uma escada, e vale a pena, o visual é de tirar o fôlego. A praia, como é longe para ir caminhando do centro da cidade e só se chega por carro, tem muito menos gente do que se poderia esperar, inclusive no verão a praia não fica muito lotada.
Do outro lado do paredão “Torre Sul” está a praia de Fora. De lado da “Torre Norte” está a Praia da Cal, que é muito conhecida pela prática de Surf. Apesar de ter menos de um quilômetro, a praia vale uma visita, é uma linda enseada. Apesar da temperatura da água não se muito convidativa, a paisagem vale a pena.
O segundo lugar mais bonito da cidade é o Morro do Farol. Lá, além do farol que dá nome ao morro, pode-se apreciar, no verão, uma pista para vôo. Mas o principal é a paisagem. Pode-se apreciar a Guarita, a Ilha dos Lobos, a Praia da Cal, Prainha, a Praia Grande e Santa Catarina. O lugar é lindo, e pode-se passar uma tarde inteira apreciando a paisagem, mas o melhor horário é o por ou nascer do sol.
Mais ao norte estão a Praia Grande e a Prainha. A primeira, que é a mais movimentada, fica bem no centro da cidade e é cheia de quiosques e com uma infra-estrutura excelente que não existe nas outras praias. Estas praias não são muito diferentes das outras do Rio Grande do Sul, e não têm nenhum atrativo especial como a da Cal e principalmente a da Guarita. A água é muito fria, o que não possibilita um banho muito agradável. Mas em termos de opções gastronômicas e diversão, elas são as mais bem preparadas da cidade.
O que falta a Torres são opções culturais, elas não existem. Ao turista, se oferece as belezas naturais e mais nada. Nenhum museu que merece destaque ou opções para um dia de muita chuva.
Classificação pessoal e arbitrária: três estrelas e meia.
06/02/2011
Manaus, Amazonas. A metrópole da Amazônia
23/01/2011
Curitiba, PR. A capital ecológica do Brasil.
Uma boa opção para se conhecer a cidade é utilizar a Linha Turismo, que sai da Praça Tiradentes e custa R$ 20,00. O ônibus passa por vinte e quatro pontos turísticos e o passageiro pode descer em quatro a sua escolha. Antes de embarcar, no entanto, o turista pode visitar a Catedral Basílica Nossa Senhora da Luz na Praça Tiradentes. Esta igreja em estilo gótico tem sua fachada muito bonita, vale a pena a fotografia. O interior, no entanto, é bem desconfigurado e não é tão bonito.
O primeiro ponto turístico é a Rua das Flores, depois o Museu Ferroviário, Teatro Paiol e em seguida o Jardim Botânico; que é parada obrigatória. Este é um dos grandes cartões postais de Curitiba, principalmente a sua estufa de vidro com três abóbadas. Mas o Jardim Botânico tem muito mais que isto: trilhas em bosque, velódromo, uma grande área verde e um jardim lindo. A entrada é gratuita e existe um café e lojas de lembranças.
Tomando a Linha Turismo, a próxima parada é Mercado Municipal; este local é uma visita imperdível, como outros mercados do tipo (os mercados públicos de Porto Alegre, Florianópolis e São Paulo, por exemplo) pode-se encontrar diversos produtos de qualidade e frutas das melhores procedências. O de Curitiba fica devendo aos outros na fachada, que em nada é atraente e indica a grande atração que é seu interior. Outro ponto positivo são os preços, que ao contrário dos outros mercados são justos, inclusive os restaurantes do piso superior.
Com uma caminhada de 15 minutos pode-se chegar ao Teatro Guaíra, um dos maiores do Brasil e que pode ser visitado de segunda a sexta até as 15h. Do outro lado da Praça Santos Andrade está o prédio histórico da Universidade do Paraná, uma das primeiras do país; hoje a UFPR. A fachada do prédio é linda, e por dentro pode apreciar seus vitrais e exposições que têm entrada franca. Com outra caminhada de 15 minutos pode-se chegar ao Museu Ferroviário que resgata a importância da estrada de ferro para o desenvolvimento do Paraná e de Curitiba. O museu fica na antiga estação de trem, e traz objetos dos séculos XIX e XX, além de maquetes e documentos. Em anexo está o Estação Shopping, que é um shopping grande e simpático que traz a temática dos trens.
Pode-se pegar a Linha Turismo no Museu Ferroviário e seguir passando pelo passeio público, Memorial ao imigrante árabe, o Centro Cívico e deve-se parar no Museu Oscar Niemeyer, que é a melhor atração de Curitiba e cobra R$ 4,00 o ingresso e tem no hall de entrada um café de alta qualidade e preços justos. Não conheço outro museu igual a este, só a estrutura é uma obra-prima. O museu é enorme, o pátio tem expostas esculturas, seu prédio de entrada tem um grande vão e vários pisos que expõem mostras provisórias. Mas a grande atração é o olho, que se chega por um túnel que passa por baixo de um espelho de água e uma subida que passa por diversas salas cheias de obras de arte. A sala principal do olho expõe uma mostra permanente que inclui obras de Iberê Camargo, Portinari, Tarcila do Amaral entre muitos outros. Se fosse só pelo museu a visita a Curitiba já se justificaria e pode-se passar um dia inteiro facilmente dentro dele.
Após o Museu Oscar Niemeyer a Linha Turismo passa pelos lindos Bosques do Papa e Alemão, Universidade Livre do Meio Ambiente e Parque São Lourenço. A próxima parada obrigatória é no Ópera de Arame. Este é um teatro feito em estrutura tubular no meio de um lago e em uma antiga pedreira, não é cobrado ingresso a visita. O lugar é lindo, para se chegar até no teatro se passa por uma ponte que se pode apreciar no lago abaixo com peixes e a pedreira ao lado. No subsolo existe um café que pode tomar algo apreciando a paisagem linda. Do outro lado da pedreira está um grande anfiteatro para mais de 50 mil pessoas que está em desuso atualmente, o lugar é conhecido como Pedreira Paulo Lemiski.
Após o Ópera de Arame a Linha Turismo passa pelos lindos parques Tanguá e Tingui, pelo Portal Italiano e o bairro de Santa Felicidade – o grande centro gastronômico da cidade, outro lindo parque Barigui e a Torre Panorâmica até voltar para a Praça Tiradentes. Na praça pode-se tomar um táxi até outro ponto que não pode deixar de ser visitado, a Arena da Baixada. A corrida custa cerca de R$ 17,00 e o Atlético (dono do estádio) oferece tour de hora em hora ao custo de R$ 7,00. O tour leva pelos vestiários, arquibancadas, camarotes, a beira do gramado e um pequeno museu. Vale a pena a visita para os amantes de futebol.
10/01/2011
Joinville, a cidade dos Príncipes
Logo no início da cidade, as margens da BR-101 está o pórtico da XV de Novembro, em estilo alemão ele dá as boas-vindas aos visitantes. Além do pórtico, há outra atração em estilo germânico ao lado que é o Moinho, que atualmente não está disponível para visita do público. Próximo do pórtico se encontro o parque Expoville que possui um centro comercial com bastante artesanato e chocolates caseiros, além de uma grande área verde que vale a visita.
A seguir, indo de carro pela rua XV de Novembro se chega ao centro, onde se encontra a maioria das atrações turísticas da cidade. Pode-se deixar o carro estacionado no Shopping Mueller (R$ 3,00 por quatro horas e R$ 1,00 por hora adicional), de lá a maioria das atrações podem ser alcançadas a pé. A primeira visita pode ser a famosa Rua das Palmeiras, em frente ao palácio dos príncipes, que hoje é o Museu Nacional de Imigração e Colonização. O museu é um tributo aos colonizadores que construíram a cidade, ele é constituído da casa principal (o antigo palácio dos príncipes) além de mais três espaços aos fundos, que expõem ferramentas (galpão de tecnologia), viaturas de tração animal e carroções (galpão dos meios de transporte) e que reproduzem uma típica casa da época da colonização (Casa de Enxaimel). A entrada é gratuita.
Próximo ao Shopping Mueller está o Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville, que foi o primeiro a ser fundado no Brasil ainda no Século XIX pelos imigrantes. Neste local está o Museu Nacional do Bombeiro, onde se pode conhecer a história dos bombeiros, desde como eles combatiam os incêndios no século XIX até os dias atuais. Entre as curiosidades, pode ver o pau de sebo, a torre e vários equipamentos antigos. A entrada é gratuita se há um bombeiro que guia a visita.
Um pouco mais distante está a Praça da Bandeira, a caminho do Museu de Sambaqui que expõe os vários achados arqueológicos encontrados na cidade de Joinville. São vários artefatos pré-coloniais expostos, de conchas a ossos de mamíferos e crânio humanos. É um passeio pelo passado remoto da cidade, a visita é gratuita.
Após um dez minutos de caminhada, se chega ao Cemitério do Imigrante e Casa da Memória, esta foi a casa do antigo coveiro do Cemitério Protestante. Ele esteve em funcionamento de 1851 até 1913, estão sepultados até hoje mais de duas mil pessoas em mais de 490 sepulturas. Visitar túmulos de mais de 150 anos e saber que estão ali os primeiros colonizadores é uma experiência marcante.
Seguindo a pé pela XV de Novembro encontra-se o Museu de Arte de Joinville e a Cidadela Cultural Antarctica, ambos dedicados a Arte. A Cidadela, antiga fábrica da cervejaria, tem galpões onde há arte contemporânea. O Museu tem um acervo com mais de 700 obras de arte, não é um museu em nível das grandes capitais, mas vale a visita que é gratuita.
Além destas atrações tem outras que não pude visitas. Entre as que mais se destacam estão a Escola do Teatro Boishoi, que deve ser agendada antecipadamente, o Mercado Municipal e a Estação da Memória (antiga estação de trem de Joinville).
A cidade de Joinville não é conhecida por suas atrações turísticas, e sim pela sua pujança econômica. No entanto, é um ótimo exemplo de cidade que preserva sua história e mantém a cidade organizada apesar dos mais de meio milhão de habitantes. Vale a pena visitar para conhecer uma cidade que é diferente das cidades de outras regiões, ou mesmo de Santa Catarina, pois é muito diferentes de Criciúma, Florianópolis e Chapecó, que ficam no mesmo estado, que apesar de pequeno, mostra uma diversidade que vale a pena ser conhecida.
30/12/2010
“Eu sou Ozzy” de Ozzy Osbourne e Chris Ayres. Benvirá (2010), 380 páginas.

Todos os fãs de rock devem conhecer bem Ozzy como um dos fundadores do heavy metal quando fazia parte do Black Sabbath. Talvez para os não-rockeiros, ele seja aquele chefe de família engraçado do seriado “The Osbournes” da MTV. Para todos os dois grupos esta autobiografia, escrito junto com Chris Ayres, é imperdível. Este é o livro mais engraçado que eu já li na vida, nunca ri tanto como lendo estas quase 400 páginas de histórias impagáveis. Mas ele não se resume a episódios hilários, tem drama, traições e muita droga pesada. Em suma, tudo que se quer ler quando se escolhe uma biografia, mas a de Ozzy vai além das expectativas.
O livro chega ao leitor com um tom de sinceridade e deboche desde o início. Ozzy não economiza nos palavrões, e se fosse ao contrário não soaria uma obra sincera. Ozzy conta desde sua vida modesta em uma cidade industrial no Inglaterra e inicia o livro com o episódio que marcou sua vida, a prisão logo na adolescência por roubo, quando decidiu que nunca mais queria voltar para trás das grades depois de seis meses em uma penitenciária britânica.
A passagem para os fãs do rock mais esperada é como o Black Sabbath “inventou” o heavy metal, o que Ozzy descreve como quase uma fatalidade. Outro ponto que vai chamar muito a atenção dos rockeiros é que Ozzy, que muitos já chamaram de “Príncipe das Trevas”, nunca levou a história de satanismo muito a sério e sempre considerou isto uma grande piada, ou uma jogada de marketing como chamaríamos nos anos 2000.
Entre as histórias hilárias estão que Ozzy nunca conseguiu tirar carteira de motorista e quando urinou no Álamo em San Antonio, indo parar direto para a prisão. Outras destas histórias que são muito boas: quando Ozzy arrancou a cabeça de uma pomba viva durante uma reunião com a gravadora para impressioná-los e quando arrancou a cabeça de um morcego vivo durante um show achando que era de plástico.
Um dos pontos de drama foi quando ele foi demitido do Black Sabbath pelas suas constantes bebedeiras e como ele ficou no fundo do poço. A importância de Sharon, sua atual esposa e mãe de três de seus cinco filhos, na retomada da carreira mostra que Ozzy não seria Ozzy sem Sharon. Outro drama, a morte do guitarrista e amigo Randy Rhoads em um acidente áreo, também foi superada graças a Sharon. A tentativa de assassinato de Sharon por Ozzy é contada em detalhes por ele, pelo menos o que ele lembra.
No final, dois dramas pesados, o câncer de Sharon e o grave acidente de moto sofrido por Ozzy que quase o levou a morte. A grande pergunta é como este cara ainda está vivo, como ele pode ter feito tudo que fez e ainda estar aí para deleite dos fãs. Apesar de seu estilo de vida não ser aconselhada para ninguém, ler sua biografia é uma forma de compartilhar todas as suas aventuras, ou para seus fãs, ser um pouco mais fã do cara.
No final, Ozzy ainda dá conselhos ao melhor estilo livro de auto-ajuda que vou tentar seguir, como na página 354: “Nunca acreditei em brigas de longo prazo. Não me entendam errado: já fiquei bravo com pessoas. Muito bravo – com pessoas como Patrick Meehan, ou aquele advogado que tentou me cobrar a bebida ou Bob Daisley. Mas eu não os odeio. Eu não quero que sofram nenhum mal. Eu assumo que odiar alguém é uma completa perda de tempo e esforços. O que você consegue no final? Nada. Não estou tentando ser Arcanjo Gabriel. Só acho que, se você está bravo com alguém, chame-o de bosta, tire isso do seu sistema e siga em frente. Não vamos ficar na Terra por muito tempo”.
Classificação pessoal e arbitrária: cinco estrelas
24/12/2010
“Fora de mim” de Martha Medeiros. Objetiva (2010), 131 páginas.

Sempre coloquei Martha entre meus autores favoritos. Sempre fui um fã declarado de seus textos e um permanente indicador de sua obra a amigos e alunos. Mas confesso que “Fora de mim” foi uma grande decepção para mim, talvez pela enorme expectativa de ser “o novo livro da Martha”, mas ele me desagradou enormemente.
Não se pode chamar de um livro ruim, em hipótese nenhuma, até porque é muito difícil de definir o que é ou não um livro bom e ruim, o que se pode é dizer que um livro nos agradou ou não, e “Fora de mim” não me agradou nem um pouco. Porém, o texto fluido e atraente de Martha continua lá, o livro é muito bem escrito e atraente, o conteúdo que não me tocou.
O livro é sobre uma grande dor de cotovelo, de uma mulher rejeitada pelo namorado. O livro é feminino, mas em hipótese alguma de uma postura feminina forte, ou mesmo feminista, muito pelo contrário. A narradora, a rejeitada, narra todo o livro, mas fala mais do ex-namorado que dela própria. Coloca o ex como centro de sua vida, mesmo que ele não faça mais parte dela. É uma mostra de uma mulher totalmente frágil e dependente de uma figura masculina, apesar da narradora querer nos convencer do contrário. Sempre a procura de alguém que seja um alicerce da sua vida que ela própria não consegue ser, tampouco seus filhos que são mal citados durante a narrativa.
Outra coisa que senti muita falta no livro são as frases tocantes, elas não aparecem em nenhum momento como nos outro livro de Martha. Espero que ela não tenha terminado o estoque delas, eu sentiria muita falta de ler as sentenças espirituosas de Martha que falam muito sobre nós em poucas palavras.
“Fora de mim” é um exemplo de um livro que é muito bem escrito, por um autor ótimo, mas que não agrada, pelo menos a um tipo de leitor. Mesmo assim, vou continuar ansioso pela próxima obra de Martha e entrarei na fila de espera para receber o livro assim que for lançado, porque ela continua sendo uma de meus escritores favoritos.
Classificação pessoal e arbitrária: três estrelas
15/12/2010
“Leite Derramado” de Chico Buarque. Companhia das Letras (2009), 195 páginas.

Chico Buarque é um dos grandes nomes de nossa música, autor de obras-primas. Não seria justo que se exigisse igual qualidade de sua literatura. Porém, o nível que o Chico escritor consegue em “Leite Derramado” não deixaria o Chico compositor envergonhado.
O livro tem como protagonista um moribundo, Eulálio Assumpção, que narra suas lembranças a um ouvinte não definido ou categorizado. Suas memórias são confusas, como era de se esperar de um moribundo. Ele tem fixação com a sua esposa, Matilde, da qual o narrador revela aos poucos o destino e mesmo assim deixa o leitor confuso sobre as versões dos fatos, teria Matilde morrido de doença como hora o narrador deixa a entender, ou de acidente com seu suposto amante como em outro momento fica subentendido. A própria procedência aristocrática que o narrador declara de sua família fica sob suspeita quando se percebe que pode ser tudo invenção de um narrador velho que quer chamar a atenção de um ouvinte. Outro lance que faz o leitor suspeitar que tudo não passar de memórias de um passado inexistente é quando por duas vezes, seus descendentes deixam filhos póstumos, quando um deles morre nos porões da ditadura e outro assassinado por um marido ciumento, que teria sido a mesma forma que o pai do narrador teria morrido.
Porém, mesmo que a história, em suas várias versões conflitantes, seja invenção da cabeça do narrador ela é uma boa história familiar. Envolve várias gerações dos Assumpção, desde sua filha única, Maria Eulália, que fora abandonada por sua mãe e criada pelo narrador, sua ascendência supostamente aristocrática com auge durante a república velha e seus descendentes que chegam ao Rio atual onde um deles é preso por tráfico de drogas. Todos as intrigas familiares estão lá, amores, ciúmes e sentimentos mal resolvidos.
O romance começa devagar, mas aos poucos vai envolvendo o leitor a entrar nas memórias do narrador moribundo. A curiosidade sobre o que teria acontecido com Matilde, esposa do narrador, dá toques de suspense ao livro, incluindo a dúvida se ela teria ou não o traído (alguma semelhança com Dom Casmurro?). E no final a grande ironia da obra, seriam verdadeiras as memórias do narrador? Devido à idade dele, segundo ele 100 anos, nem o próprio poderia com certeza afirmar se o que relata de fato ocorre ou é tudo fruto de sua imaginação.
O texto de Chico não chega a empolgar o leitor, mas sem dúvida é de grande qualidade e trata-se de um bom livro com um enredo bem estruturado e narrado de forma a parecer ser contado por uma pessoa quase centenária. Um livro que não chega a qualidade da música composta pelo autor, mas fica longe de decepcionar.
Classificação pessoal e arbitrária: quatro estrelas







